Seriam sombras?

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Acorrentado no fundo de uma caverna, visualizando apenas sombras. Assim se inicia a alegoria da Caverna, criada por Platão.
Platão viveu na Grécia antiga, foi discípulo de Sócrates durante cerca de 20 anos, e viu o seu mestre ser morto após decisão em assembleia (democrática), que o condenou a beber cicuta, por acreditarem que ele havia corrompido a juventude da época.
Para Platão, existia o mundo sensível, traduzido pela palavra grega Doxa, um mundo mutável, de opiniões, ilusões e crenças. E, havia também o mundo das ideias, inteligível e de formas perfeitas e imutáveis.
Aquele sujeito acorrentado lá no fundo da caverna, acreditava que o que via, apenas as sombras projetadas nas paredes da caverna, era o real. Ficou lá por muito tempo, na companhia de outros prisioneiros. Um dia se livrou de suas algemas, com muita dificuldade saiu dessa caverna, com ainda mais dificuldade conseguiu enxergar o ambiente externo, iluminado por um poderoso sol, que ofuscava seus olhos inicialmente.
Quando passou a compreender as verdades, e desmistificar aquelas ilusões das sombras, viu que aquele conhecimento não poderia ser restringido de seus semelhantes. Voltou lá para a caverna, e tentou passar para os demais prisioneiros as informações que havia vivenciado. No final foi agredido e morto pelos demais, que ainda estavam presos, não só pelas correntes, mas também no mundo sensível, das crenças, na Doxa.
Fazendo a devida interpretação dessa alegoria, notamos que a nossa atual conjuntura política de polarização em uma esquerda e direita, é muitas vezes vazia de fundamentação. Esses extremos das duas partes, são muitas vezes mitificações de bem e do mal, isso vale para ambos os lados.
Devemos, assim como Platão almejava, quebrar paradigmas, parar de enxergar apenas sombras, e buscar sempre as verdades absolutas, que não vão estar em uma rede social arrastando para cima ou avançando para o próximo story.

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